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O "Colóquio Internacional: Tendências contemporâneas da comunicação científica: desafios e perspectivas" foi promovido pela Diretoria de Divulgação Científica, orgão da Pró-Reitoria de Extensão da Universidade Federal de Minas Gerais. Foram debatidos os principais desafios da comunicação científica contemporânea tanto em ambientes corporativos quanto em redes entre países da América do Sul.

terça-feira, 16 de outubro de 2012

ANÁLISE DA 5ª EDIÇÃO DA OLIMPÍADA BRASILEIRA DE SAÚDE E MEIO AMBIENTE E SUA REPERCUSSÃO NA REGIONAL MINAS/SUL


ANÁLISE DA 5ª EDIÇÃO DA OLIMPÍADA BRASILEIRA DE SAÚDE E MEIO AMBIENTE E SUA REPERCUSSÃO NA REGIONAL MINAS/SUL

 

Camilla Ribeiro Nery1, Poliana da Silva Pedro2, Giselle Lopes Armindo de Oliveira3,

Virgínia Torres Schall4

Introdução

A Olimpíada Brasileira de Saúde e Meio Ambiente (OBSMA) foi lançada pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) em 2002, com o objetivo de estimular a educação de jovens na troca de conhecimentos e na reflexão crítica sobre as questões e problemas referentes à saúde e ao meio ambiente no Brasil. “O potencial educativo da Olimpíada esta em seu caráter estimulador para o desenvolvimento de projetos e expressão individual e coletiva de idéias, criações e realidade do entorno das escolas ou das cidades onde vivem os alunos” (Miranda & Schall, 2002).

Objetivo e Metodologia

O presente trabalho objetiva analisar e refletir sobre o papel da Olimpíada Brasileira de Saúde e Meio Ambiente, focalizando em sua 5ª edição (2009/2010) na regional Minas-Sul.

A organização se dá através de seis coordenações regionais e uma nacional. A coordenação nacional fica situada na Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio – Fiocruz, Rio de Janeiro/RJ. As demais regionais são: Regional Centro – Oeste (Brasília/ DF), Regional Minas/Sul – (Belo Horizonte), Regional Nordeste I – (Recife/ PE), Regional Nordeste II – (Salvador/ BA), Regional Norte – (Manaus/AM), Regional Sudeste – (Rio de Janeiro/RJ), capitais onde há unidades da Fiocruz no Brasil.

¹camilla@cpqrr.fiocruz.br: ²poliana.silva@cpqrr.fiocruz.br: 3giselle.armindo@gmail.com; 4vtschall@cpqrr.fiocruz.br
Centro de Pesquisa René Rachou (CPqRR)/ Fundação Oswaldo Cruz  (FIOCRUZ/Minas)
Laboratório de Educação em Saúde e Meio Ambiente (LAESA)
A Olimpíada apresenta cinco etapas: a primeira delas é a divulgação ampla e para isso a coordenação nacional prepara folhetos e cartazes com as informações da Olimpíada e a data limite para as inscrições. Esse material é enviado para cada regional e a coordenação local repassa para as escolas e secretarias de educação dos estados. A cada edição, a coordenação nacional, disponibiliza o site: www.olimpiada.fiocruz.br/, atualizado continuamente, incluindo o cronograma, regulamento e área do educador para a realização das inscrições. Nas coordenações regionais, ocorrem atividades de divulgação que incluem visitas às escolas, com informação direta aos educadores, esclarecendo dúvidas e orientando sobre as inscrições dos trabalhos. Na Regional Minas-Sul, uma dessas atividades foi a participação da equipe na Semana Nacional de Ciência e Tecnologia (Outubro de 2009, Belo Horizonte), distribuindo o material de divulgação e incentivando a participação dos educadores presentes no evento, bem como registrando endereços e telefones dos interessados para contato posterior.


Na segunda etapa acontecem as inscrições dos trabalhos que são realizadas no site da olimpíada. Os alunos participantes são do 6º ao 9º ano do Ensino Fundamental e Ensino Médio de todas as instituições públicas e particulares do País. A 5ª Olimpíada teve o prazo final de inscrição o dia 31 de maio de 2010 e para postagem dos trabalhos até 07 de junho do mesmo ano.

Os trabalhos foram inscritos em uma das três categorias: Audiovisual, Produção de textos e Projeto de Ciências. Na categoria audiovisual os trabalhos podem ser vídeos ou programas de rádio, com duração de 10 minutos. Na categoria Produção de Textos os trabalhos devem ser inéditos e ter no máximo 10 páginas. Na categoria Projeto de Ciências os trabalhos são produzidos coletivamente (um grupo de alunos sob orientação de um ou mais professores) e dentro da temática da Olimpíada, caracterizados principalmente por ações no espaço escolar ou em seu entorno, com metodologia científica explicitada.

.           As outras etapas correspondem à avaliação dos trabalhos, que inclui uma etapa regional, uma etapa nacional e premiação.

Olimpíada Brasileira de Saúde e Meio Ambiente - Regional Minas/Sul

Na Regional Minas/Sul, a coordenação está a cargo de uma equipe do Laboratório de Educação em Saúde e Meio Ambiente (LAESA) do Centro de Pesquisa René Rachou (CPqRR) – Fundação Oswaldo Cruz (FIOCRUZ/Minas). Esta regional inclui os Estados de Minas Gerais, Paraná, Rio Grande do Sul e Santa Catarina.

Para a avaliação dos trabalhos inscritos na regional é composta uma comissão de profissionais que abrangem as áreas de conhecimento relativas às áreas temáticas da Olimpíada, como pesquisadores da área de Biociências, Saúde e Ambiente, artistas plásticos, escritores, jornalistas e educadores. Na 5ª edição participaram Gisele Brandão – Mestre em Parasitologia e educadora do Colégio Técnico da UFMG (Coltec/MG), Sidney José – Poeta e ator, Paulo de Oliveira – Mestre em Tecnologia Educacional, educador de Bioquímica no Coltec/MG, Maria Cecília Diniz – Doutora em Ciência da Saúde, Léo Piló – Artista Plástico da Associação dos Catadores de Papel, Papelão e Materiais Reaproveitáveis (ASMARE), Adlane Vilas Boas – Doutora em Genética, professora da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) onde coordena projetos de divulgação científica, Helena Paulinyi – Escritora e doutora em Bioquímica, Membro Titular da Academia Feminina Mineira de Letras.

Resultados e Discussão

Foram 115 trabalhos inscritos pela regional Minas-Sul, sendo que 16 (13,9%) não foram recebidos (extraviados e/ou não enviados). Portanto, foram validados e analisados 99 (86,1%) trabalhos. Em relação às categorias, para Elaboração de Textos, recebemos 37 (37,4%) dos trabalhos; Produção Audiovisual 30 (30,3%) e Projeto de Ciências 32 (32,3%), indicando distribuição semelhante entre as três.

Dos trabalhos avaliados 40 (40,4%) foram classificados e 59 (59,6%) descartados por não abordarem a temática da Olimpíada ou porque não se encaixaram na categoria inscrita. Tal fato demostrou a necessidade de uma orientação mais precisa para os professores quanto ao regulamento da OBSMA.

Houve uma significativa participação do Estado de Minas Gerais, estado responsável por 43 (43,3%) dos trabalhos recebidos, justificado pelo fato da regional localizar-se na cidade de Belo Horizonte, o que facilitou o processo de divulgação e incentivo pessoal à participação dos professores. O estado de Santa Catarina enviou 27 (27,3%) dos trabalhos, Rio Grande do Sul enviou 24 (24,2%) e Paraná enviou 5 (5,1%), esse ulttimo estado requer um representante local que possa ampliar a divulgação e informação sobre a Olimpiada aos educadores da região.

Análise dos trabalhos vencedores

Na categoria de Produção de Texto, os trabalhos vencedores relatam a importância da preservação dos rios e da mata ciliar evitando a poluição. No ensino fundamental, venceu o trabalho entitulado: “A importância da bacia hidrográfica do rio Piracicaba”, do Centro Estadual de Educação Continuada (CESEC) do município de Rio Piracicaba – Minas Gerais. O Rio Piracicaba, apesar de ainda ser parte  de uma paisagem serrana, atualmente apenas 0,2% da mata original pernece na região, devastada pela urbanização rápida e desordenada. O trabalho, uma redação ilustrada baseada em entrevistas com os moradores, pesquisas bibliográficas e visitas aos locais banhados pelo rio, retrata a riqueza do ecossistema no entorno dos afluentes.

“É importante preservar este valioso patrimônio natural. Buscar todo o conhecimento sobre o rio é imprescindível para iniciar sua revitalização”  Depoimento da aluna-autora Elisete Freitas (FIOCRUZ, 2011).

Já no ensino médio o trabalho “De uma cruel realidade, renasce a esperança de um novo Rio dos Sinos”, da Escola Estadual do Ensino Médio Cristo Rei – Rio Grande do Sul, foi o vencedor. Em 2006, o Rio dos Sinos foi o cenário de uma das maiores mortandades de peixes já ocorridas no sul do Brasil, devido à grande poluição em suas águas. Os alunos iniciaram o trabalho após uma pesquisa de campo e uma campanha para proteger esse importante recurso hidríco em parceria com o Instituto Martim Pescador, que também atua na preservação do rio dos Sinos. “Nosso objetivo é erguer as mangas para buscar as vedadeiras soluções. É a nossa água que está em perigo e ela é fundamental para a qualidade de vida”. Depoimento da Educadora Orientadora Márcia Pereira, coordenadora do trabalho (FIOCRUZ, 2011).

Na categoria produção Audiovisual, venceu o trabalho “Projeto Doador do Futuro”, do Colégio Magnum Agostiniano – Minas Gerais. O trabalho abordou a importância da doação de sangue devido à baixa do estoque nos hemocentros com ênfase na motivação da comunidade no ato de doar. Segundo a educadora orientadora Emanuela Bezerra, “o objetivo foi desenvolver nos estudantes a capacidade de serem multiplicadores das idéias de doação voluntária, solidariedade e cidadania” (FIOCRUZ, 2011).

Na categoria Projeto de Ciências, ambos os trabalhos vencedores abordaram a saúde, discutindo a importância de uma alimentação mais saudável e os riscos à saúde  quanto ao descarte indevido de medicamentos vencidos.  O trabalho “Agrotóxico X Agro-tóxico”, de alunos do ensino médio da Escola Estadual Professora Zama Maciel – Minas Gerais, abordou os benefícios do cultivo de alimentos orgânicos. Os alunos realizaram análises utilizando como base o tomate, um fruto escolhido por conter altos níveis de contaminação por produtos químicos. Após a análise plataram algumas espécimes do fruto em um solo preparado apenas com esterco bovino. “Apesar de ser um alimento excelente para a saúde, restam poucos nutrientes após a contaminação com os agrotóxicos”. Depoimento da Educadora Orientadora Dayane Magalhães, coordenadora do trabalho (FIOCRUZ, 2011).

Já o trabalho entitulado “Remédios... Nocivos ou Bandidos?”, dos alunos do ensino fundamental da Escola Municipal de Ensino Fundamental Prefeito José Chies – Rio Grande do Sul, teve como objetivo principal orientar sobre o armazenamento, o uso e descarte correto dos medicamentos nas comunidades da cidade de Carlos Barbosa, RS. Os alunos envolvidos realizaram pesquisas sobre o tema, confeccionaram cartazes com informações e alertas ao destino inadequado das substâncias e selecionaram medicamentos vendidos em suas residências e na de moradores da região para o descarte apropriado no posto de saúde da cidade. “Medicamentos são compostos químicos nocivos à natureza e causam consequências ainda mais graves quando são dispensados em lixo domésticos, raloss ou vaso sanitário”.Depoimento da Educadora Orientadora Melissa Teixeira, coordenadora do trabalho (FIOCRUZ, 2011).

Considerações finais

A OBSMA possui um caráter diferenciado das outras olimpíadas, uma vez que prioriza a elaboração de trabalhos nas escolas junto à sociedade, trazendo o tema mais próximo da realidade, valorizando a participação fundamental do educador.

Referências

1. MIRANDA, E.S.; SCHALL, V.T. Olimpíada Brasileira de saúde e Meio Ambiente:relato de uma experiência inovadora na área do ensino fundamental e médio na região Sul-Minas. In: Atas do IV ENPEC Encontro Nacional de Pesquisa em Educação emCiências, n.4, 2003, Bauru. Atas do IV ENPEC Encontro Nacional de Pesquisa em Educação em Ciências. Bauru: ABRAPEC, 2004. p. 1-12. 1 CD-ROM.

2.FERREIRA, C.A. Olimpíada Brasileira de Saúde e Meio Ambiente: plantando ideias e formando cidadãos. Trabalhos em destaques 4ª e 5ª edição/ Coordenação de Cristina Araripe Ferreira e Páulea Zaquini Monteiro Lima. Rio de Janeiro: FIOCRUZ, 2011.

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