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O "Colóquio Internacional: Tendências contemporâneas da comunicação científica: desafios e perspectivas" foi promovido pela Diretoria de Divulgação Científica, orgão da Pró-Reitoria de Extensão da Universidade Federal de Minas Gerais. Foram debatidos os principais desafios da comunicação científica contemporânea tanto em ambientes corporativos quanto em redes entre países da América do Sul.

terça-feira, 16 de outubro de 2012

A história das Ciências e o Cinema: estratégias de divulgação da ciência para o Ensino Médio e público em geral


Betânia Gonçalves Figueiredo e Ana Carolina Vimieiro (Deptº História da UFMG, scientia@ufmg.br)

 

Uma das possibilidades da divulgação da ciência é trabalhar com o conhecimento como uma construção e como historicamente produzido. Ou seja, trata-se da compreensão da produção de um conhecimento que articula uma série de variáveis, dento de procedimentos e protocolos pré-estabelecidos que permitem a elaboração de hipóteses, checagem, testes, modelos e interpretações. Os atores envolvidos nesta produção, por sua vez, também são historicamente situados e vinculam-se a determinados grupos de pesquisas, linhas de pensamento, institutos de pesquisas, ou seja, contextos histórico-sociais bem delimitados.

Um caminho que tem demonstrado bons resultados nas atividades de divulgação de ciência é a utilização de filmes disponíveis no circuito comercial que abordam temáticas da história das ciências em sala de aula. Trata-se de uma abordagem voltada para alunos do ensino médio, que trata de formas variadas, temáticas do conhecimento das ciências: química, biologia, física, matemática, história e geografia. A discussão de filmes envolve, necessariamente, discussão interdisciplinar, alinhavadas pela construção histórica. Ou seja, a história da ciência é o fio condutor para a discussão da produção e divulgação das ciências.

As exibições dos filmes (que podem ser apresentados na integralidade ou editados) são acompanhadas de resenhas, escritas por professores e pesquisadores que lidam com temáticas da história das ciências. Algumas dessas resenhas veem acompanhadas de indicações para atividades em sala de aula, outras não, mas todas buscam dar relevo e discutir aspectos relacionados às formas de produção, circulação, aceitação de certas ideias/teorias, pressupostos da produção do conhecimento científico.

Trata-se de um projeto que se iniciou em 2005 e desde então divulga resenhas de filmes no formato livro ou separatas. O projeto conta como apoio da Fapemig, nas atividades que envolvem a semana de Divulgação da Ciência (MCT). Ao todo já foram publicados quatro livros (a edição do Historia da Ciência e do Cinema 4 já está pronto e será lançado em setembro de 2012 e há uma versão em espanhol já disponível para download.

Desde modo busca-se atingir, basicamente, dois conjuntos de público. O primeiro vinculado aos diversos cursos de graduação da UFMG e demais universidades interessados em discutir de uma forma não convencional os percursos da Historia das ciências no Brasil e no mundo. O material é utilizado em disciplinas optativas ofertadas no curso de história (UFMG) e em disciplinas ofertadas no ciclo básico de ciências humanas (UFMG), além da realização de eventos com a exibição de filmes e debates em seguida. Em todos esses momentos as separatas são distribuídas para auxiliar na compreensão do contexto histórico e ressaltar as temáticas da história das ciências. O projeto contou com o apoio da Fapemig e todo o material é distribuído de forma gratuita.

O segundo grupo refere-se tanto aos alunos como aos professores do ensino médio. As atividades com professores são propostas na Semana de Ciência e Tecnologia (MCT) e nas atividades de formação de professores. Já os alunos do ensino médio são envolvidos a partir do interesse dos professores dos Cefets, cursinhos pre-vestibulares, cursos regulares do ensino médio, como também alunos do curso de história envolvidos em atividades de EJA e (formação de jovens e adultos).

São atividades que envolvem professores, não apenas da disciplina história, mas professores de matemática, física, química, geografia e português. As possiblidades de abordagem são múltiplas e necessariamente, interdisciplinares.

A possibilidade de trabalhos interdisciplinares é indicada em alguns roteiros para sala de aula ao final das resenhas (essa opção está presente nos livros História da Ciência e Cinema 3 e História da Ciência e Cinema na sala de aula). Mas independente de roteiros com indicação para professores os próprios filmes possibilitam múltiplas abordagens. Como exemplo o filme “Galileu Galilei”, baseada na peça de teatro, com o mesmo nome, de Bertolt Brecht. Neste filme é possível tanto trabalhar com o contexto de produção da ciência no século XVII, como também com o estilo literário de Bertolt Brecht e todo o contexto de produção da peça (texto original).  Logo o convite de trabalho interdisciplinar entre as disciplina de Física e Português é apresentado de forma natural.

 

Referências

 

Figueiredo, Betânia Gonçalves; Gomes, Ana Carolina Vimieiro (orgs.). História da Ciência no Cinema 4. Belo Horizonte: Fino Traço Editora, 2012.


 


Figueiredo, Betânia Gonçalves; Silveira, Anny Jacqueline Torres (orgs.). História da Ciência no Cinema 3. Belo Horizonte: Fino Traço Editora, 2010.


 


OLIVEIRA, Bernardo Jefferson de.( org.). História da Ciência no Cinema. Belo Horizonte: Fino Traço Editora, 2005.


 


OLIVEIRA, Bernardo Jefferson de.( org.). História da Ciência no Cinema 2. Belo Horizonte: Fino Traço Editora, 2007.


 


OLIVEIRA, Bernardo Jefferson de.Ciência e Cinema na Sala de Aula. Belo Horizonte: Fino Traço Editora, 2012.


 


 

 


 

 

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