Betânia
Gonçalves Figueiredo e Ana Carolina Vimieiro (Deptº História da UFMG,
scientia@ufmg.br)
Uma
das possibilidades da divulgação da ciência é trabalhar com o conhecimento como
uma construção e como historicamente produzido. Ou seja, trata-se da
compreensão da produção de um conhecimento que articula uma série de variáveis,
dento de procedimentos e protocolos pré-estabelecidos que permitem a elaboração
de hipóteses, checagem, testes, modelos e interpretações. Os atores envolvidos
nesta produção, por sua vez, também são historicamente situados e vinculam-se a
determinados grupos de pesquisas, linhas de pensamento, institutos de
pesquisas, ou seja, contextos histórico-sociais bem delimitados.
Um
caminho que tem demonstrado bons resultados nas atividades de divulgação de
ciência é a utilização de filmes disponíveis no circuito comercial que abordam
temáticas da história das ciências em sala de aula. Trata-se de uma abordagem
voltada para alunos do ensino médio, que trata de formas variadas, temáticas do
conhecimento das ciências: química, biologia, física, matemática, história e
geografia. A discussão de filmes envolve, necessariamente, discussão interdisciplinar,
alinhavadas pela construção histórica. Ou seja, a história da ciência é o fio
condutor para a discussão da produção e divulgação das ciências.
As
exibições dos filmes (que podem ser apresentados na integralidade ou editados)
são acompanhadas de resenhas, escritas por professores e pesquisadores que
lidam com temáticas da história das ciências. Algumas dessas resenhas veem
acompanhadas de indicações para atividades em sala de aula, outras não, mas
todas buscam dar relevo e discutir aspectos relacionados às formas de produção,
circulação, aceitação de certas ideias/teorias, pressupostos da produção do
conhecimento científico.
Trata-se
de um projeto que se iniciou em 2005 e desde então divulga resenhas de filmes
no formato livro ou separatas. O projeto conta como apoio da Fapemig, nas
atividades que envolvem a semana de Divulgação da Ciência (MCT). Ao todo já
foram publicados quatro livros (a edição do Historia da Ciência e do Cinema 4
já está pronto e será lançado em setembro de 2012 e há uma versão em espanhol
já disponível para download.
Desde
modo busca-se atingir, basicamente, dois conjuntos de público. O primeiro
vinculado aos diversos cursos de graduação da UFMG e demais universidades interessados
em discutir de uma forma não convencional os percursos da Historia das ciências
no Brasil e no mundo. O material é utilizado em disciplinas optativas ofertadas
no curso de história (UFMG) e em disciplinas ofertadas no ciclo básico de
ciências humanas (UFMG), além da realização de eventos com a exibição de filmes
e debates em seguida. Em todos esses momentos as separatas são distribuídas
para auxiliar na compreensão do contexto histórico e ressaltar as temáticas da
história das ciências. O projeto contou com o apoio da Fapemig e todo o
material é distribuído de forma gratuita.
O
segundo grupo refere-se tanto aos alunos como aos professores do ensino médio.
As atividades com professores são propostas na Semana de Ciência e Tecnologia
(MCT) e nas atividades de formação de professores. Já os alunos do ensino médio
são envolvidos a partir do interesse dos professores dos Cefets, cursinhos
pre-vestibulares, cursos regulares do ensino médio, como também alunos do curso
de história envolvidos em atividades de EJA e (formação de jovens e adultos).
São
atividades que envolvem professores, não apenas da disciplina história, mas
professores de matemática, física, química, geografia e português. As possiblidades
de abordagem são múltiplas e necessariamente, interdisciplinares.
A
possibilidade de trabalhos interdisciplinares é indicada em alguns roteiros
para sala de aula ao final das resenhas (essa opção está presente nos livros
História da Ciência e Cinema 3 e História da Ciência e Cinema na sala de aula).
Mas independente de roteiros com indicação para professores os próprios filmes
possibilitam múltiplas abordagens. Como exemplo o filme “Galileu Galilei”,
baseada na peça de teatro, com o mesmo nome, de Bertolt Brecht. Neste filme é
possível tanto trabalhar com o contexto de produção da ciência no século XVII,
como também com o estilo literário de Bertolt Brecht e todo o contexto de
produção da peça (texto original). Logo
o convite de trabalho interdisciplinar entre as disciplina de Física e
Português é apresentado de forma natural.
Referências
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